Eu fiquei pensando se devia ou não expor a minha opinião a respeito de tal assunto, mas resolvi falar assim mesmo. Quero abordar alguns pontos com vocês...Mas, primeiro irei falar um pouco sobre mim.

Eu sempre amei o vôlei, torcia demais pelos times masculinos e femininos, essa paixão por um esporte se estendeu para os outros, bastava o cara dizer que estava competindo pelo Brasil que ganhava minha atenção e torcida. Tenho boa memória para certas coisas e sou capaz de falar a primeira Olimpíada que acompanhei: Sydney em 2000. 

Comemorei absurdamente por Adriana Behar e Shelda no vôlei de praia ter ganhado a prata, e sofri com o vôlei feminino e masculino que não tiveram um bom momento e apenas as meninas levaram o bronze.

4 anos depois veio as Olimpíadas de Atenas que para mim foi inesquecível, me encantou em todos os sentidos, sem falar que faturamos 5 ouros, tendo 10 medalhas no total (3 no vôlei) e o volei de quadra masculino mostrou para o que veio e faturou de maneira inesquecível sua medalha de ouro. Pronto! Me apaixonei e nunca mais parei de acompanhar! A ponto de ficar acordada durante toda a madrugada para assistir os jogos, praticamente não dormi direito até acabar as Olimpíadas de Pequim...e por aí se passaram os anos até chegarmos em 2016 no Rio.

Não faço parte das pessoas que comemoraram quando o Brasil foi escolhido como sede das Olimpíadas, pelo contrário..achei uma loucura. Por acompanhar os jogos e entender a sua dinâmica, era claro que não estávamos preparados para isso, ainda mais sabendo que teríamos 2 anos antes uma copa do mundo. 

Entendam queridos, corrupção no Brasil é algo "comum" a nossos governantes, propinas, falsificação de orçamento...Se para construir uma ponte eles gastam 5 milhões, imagine aparelhar e construir estádios, além de promover obras pela cidade? Superfaturaram tudo! E ainda disseram que a festa de abertura foi feita com orçamento baixo...Como assim??? Para quem não sabe (segura aí essa informação) custou ao Brasil para realizar as Olimpíadas 40 bilhões de reais, sendo que 40% do dinheiro usado foi da máquina pública. Ou seja, dinheiro meu, seu, nosso!

Imagine queridos leitores..o que poderia ser feito na saúde, na educação e em outros setores com tal verba? Imagine o quanto o Brasil se desenvolveria e melhoraria em desigualdade social e em termos de assistência a sua população? Só imagine! Pois, os caras que colocamos lá para administrar o dinheiro e a máquina pública só pensam em maquiar o que está errado, pão e circo e fugir dos problemas que nós brasileiros passamos. Dói em nosso bolso, não no deles! Essa é a verdade.

Desculpa, não me entendam mal. Ainda amo as Olimpíadas, amo torcer pelo Brasil. Tenho o enorme orgulho de ter nascido brasileira, nordestina e baiana. Não sou daqueles que desde pequeno sonham em se 'mandar' daqui! Pelo contrário, quero fazer parte do grupo de pessoas que sonham em ajudar a melhorar nosso País. A torná-lo semelhante ao que sonhamos que ele possa ser. Mas, sinceramente, não consigo acompanhar as Olimpíadas este ano.

Já sentei algumas vezes diante da TV para torcer pelo Diego Hypolito e Arthur Zanetti, fiquei feliz por saber que as nossas meninas da ginástica se classificaram para final...Mas, é complicado se deixar envolver por essa atmosfera toda, sabendo do dinheiro gasto, do dinheiro roubado e da situação atual em que o País atravessa.

Quero encerrar, deixando claro que tenho orgulho dos atletas que representam nosso País. Torcerei sempre por esses guerreiros. Para mim, são exemplos de superação e força. Minha crítica nada tem haver com eles. 

Estou me sentindo como se uma contagem regressiva tivesse acionado assim que a abertura das Olimpíadas ocorreu. Sei que ao final das festas e competições a crise financeira do País irá se agravar. Apesar dela estar de certa forma incomodando os nossos bolsos, ela ainda está sendo maquiada...Querem conter a revolta das pessoas, fazer bonito para o mundo. Quando os jogos passarem...A coisa vai ficar feia. Por isso, comecem a juntar moeda no porquinho!!rsrs

Não, não sou pessimista, sou realista e até certo ponto, precavida. 

Sobre a abertura das Olimpíadas foi uma linda cerimônia, emocionante...para quem ama esse País, não tem como não se orgulhar. Só queria que ele fosse valorizado da mesma forma por aqueles que o governa. Mas, os culpados somos nós, que não cobramos. Votamos de 4 em 4 anos, deixamos eles 'soltos no mundo', fazendo o que quer, sem cobrar, sem lutar pelo melhor do Brasil. Acostumamos os políticos a pensarem que não nos devem satisfação e não são obrigados a explicarem nada. Mas, algo me diz...que isso vai mudar. O Brasil cansou de esperar, queremos respostas e resultados! Queremos que o sonho de um País, digno para todos, saia do papel....

Enfim, comecei a falar de uma coisa, terminei falando de outra. Mas, tudo leva a uma única palavra: Esperança. Tenho esperança que haverá mudanças.


A Ilha das Flores, já ouviu falar desse curta-metragem? Acredito que a maioria de vocês já recebeu algum trabalho seja no colégio, na faculdade ou em alguma especialização aí pelo mundo, em que devia assistir esta obra. 

No meu caso, tive que assisti-lo no 2º ano de faculdade e fazer um resumo crítico a respeito. Devo confessar que não concordo com tudo o que tem nele, claro que nele mostra uma realidade, chama atenção para certos problemas sociais, mas...às vezes tenho a impressão que temos a tendência de fechar os olhos para certas coisas, e diante de problemas tentar achar culpados de forma equivocada. Por exemplo, não acho que a culpa da existência da desigualdade social seja o capitalismo. Para mim, repito "PARA MIM", os grandes responsáveis são os homens e mulheres eleitos para administrar a máquina pública (seja no nível municipal, estadual e federal) e invés disso resolve enriquecer às nossas custas. Mas, enfim...isso é assunto para outro post. Vamos focar no assunto original!

Ilha das Flores é um curta-metragem de cerca de 10 minutos, escrito e dirigido pelo cineasta Jorge Furtado no ano de 1989. Neste, podemos observar que a maioria dos problemas sociais são sistêmicos, ou seja, se encontram totalmente interligados. Como diria Capra: A teia da vida!

A situação retratada ratifica a desigualdade social do povo brasileiro, suas carências e necessidades, o abandono sofrido por parte do poder público, o que termina por afetar a saúde destes indivíduos. O filme encerra com a seguinte reflexão: liberdade é "Uma palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda”

Se seu professor(a) pediu para você assistir esse curta, então é só apertar o play:



Pesquisando sobre tal assunto, me deparei com um artigo muito bem elaborado, o qual gostaria de compartilhar algumas partes por aqui. Quem faz parte da equipe de enfermagem, com certeza, irá se identificar em algum momento da escrita. É importante ressaltar que modifiquei algumas partes, visando fazer apenas um resumo do conteúdo.

CONDIÇÕES DE TRABALHO E ENFERMAGEM: 
A transversalidade do sofrimento no cotidiano

Os profissionais de saúde, mais especificamente, a enfermagem são atingidos em sua maioria por um sofrimento psíquico no trabalho, que se constitui em: sentimento de vazio e fragilização dos laços afetivos com familiares, conflitos de valores em relação à ser/ter, sentimento de aprisionamento, estresse excessivo devido as dificuldades e sentimento de impotência enfrentados no cotidiano do trabalho. Observa-se que tais circunstâncias têm relação direta com o aumento da jornada de trabalho, que traz desgaste físico, emocional e sofrimento no cotidiano somando-se a precariedade das condições de trabalho, gerando insatisfação do trabalhador, comprometendo a assistência prestada, além disso, acaba dificultando as relações interpessoais no âmbito das dimensões públicas e privadas da vida cotidiana. 

É importante ressaltar que os profissionais dessa área correspondem a maior parcela da força de trabalho na saúde, com a singularidade de serem majoritariamente do gênero feminino. Essa singularidade se traduz na prática por um perfil humano genérico de múltiplas funções: trabalhadoras de saúde, mães, donas de casa, etc. Percebe-se, no entanto, que os profissionais vêm sofrendo as consequências da redução do seu poder aquisitivo, por essa razão estes buscam a adoção de outros vínculos empregatícios, sobretudo os enfermeiros.

E, pelo fato de existir insegurança gerada pela ameaça de desemprego, estes se submetem a regimes e contratos de trabalho precários. Os profissionais de enfermagem, por exemplo, desenvolvem suas atividades (na maioria das vezes) em regime de plantão, o que permite a estes acumularem duas ou três escalas de trabalho. Porém, todas as formas adotadas por esses trabalhadores para complementação da sua renda resultam no aumento da jornada de trabalho.

Além disso, o multiemprego na enfermagem é marcado pelas características tensiógenas dos serviços hospitalares, tanto pela natureza do cuidado prestado às pessoas em situações de risco como pela divisão social do trabalho e hierarquia presentes na equipe de saúde, fatores estes que elevam o risco de agravar a saúde deste trabalhador. Até porque, o profissional tem que lidar com diversas dificuldades durante suas atividades. Constata-se atualmente nos profissionais do serviço público uma frustração pela falta de material impedindo estes de fazerem corretamente seu trabalho, o que exige maior capacidade de improvisação desses trabalhadores para realização de procedimentos, deixando-os insatisfeitos em relação à resistência prestada ao paciente.Tais elementos, podem ser responsáveis por desencadear o sofrimento cotidiano desses trabalhadores.

E, segundo Dejours (1992, p.10), o sofrimento é "um estado de luta do sujeito contra as forças que o estão empurrando em direção à doença mental". Essa precariedade das condições de trabalho, somado a carga horária excessiva de trabalho, a falta de tempo para o lazer, convívio social e integração familiar acarretam prejuízos na vida privada do trabalhador.

É certo que o trabalho pode ser um espaço privilegiado de realização pessoal, e se assim não fosse, as mulheres não teriam lutado tanto para romper as fronteiras dos territórios domésticos e ganhar direito à realização profissional. Mas, o que acontece é que o trabalho está se tornando o centro da vida de uma forma dominante, o que dificulta uma conciliação com as demais dimensões da vida e suas respectivas atividades.

Em um artigo publicado no site argentino 'Darío Vive' em 04-09-2008, Ricardo Antunes destacou: "uma vida cheia de sentido fora do trabalho supõe uma vida dotada de sentido dentro do trabalho". Sendo assim, o modo como você leva a vida, refletirá diretamente no seu trabalho.

Pensar em Enfermagem significa pensar em seus trabalhadores, na concretude do seu cotidiano, no emaranhado de relações da vida pessoal e profissional (GONZÁLES & BECK, 2002).


Lembrem-se que trabalhar não é só exercer atividades produtivas, mas também conviver!
Convido você para conferir o artigo na íntegra e refletir sobre tal assunto - clicando AQUI.



MEDEIROS, S.M., RIBEIRO, L.M., FERNANDES, S.M.B.A, VERAS, V.S.D. Condições de trabalho e enfermagem: a transversalidade do sofrimento no cotidiano. Rev. Eletr. Enf. [Internet]. 2006; 8(2):223-40.